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Tratando o Tabagista Como vimos anteriormente a nicotina é a substancia que existe nos cigarros e é responsável pela dependência química . A indústria tabagista se utiliza de alguns artifícios para aumentar a absorção da nicotina pelo organismo, como por exemplo, a utilização de variedades de tabaco com altos teores de nicotina ou a adição de substancias químicas em algumas fases da fabricação do cigarro. O processo farmacológico que leva a dependencia é similar ao de outras drogas, com a repetição do uso desenvolve-se a tolerância, ou seja, doses progressivamente maiores são necessárias para se obter o mesmo efeito. Os mais recentes estudos da dependência estão baseados na teoria genética. O gene CYP 2A6 é responsável pela codificação do sistema microssomal hepático que metaboliza a nicotina, sendo que algumas pessoas podem apresentar o metabolismo acentuado ou diminuído. No caso de haver uma metabolização mais rápida da nicotina haverá necessidade de um maior consumo de tabaco. O acompanhamento do fumante num programa anti-tabagismo se baseia principalmente em amenizar ou preparar o indivíduo para enfrentar a síndrome de abstinência. Os sintomas que podem ocorrer pela abstinência incluem ansiedade, irritabilidade, dificuldade de concentração, inquietação, aumento do apetite, compulsão pelo tabaco, distúrbios do sono e depressão. Este quadro dura no máximo 30 dias, e é por isso que a interrupção do tabagismo requer reflexão, e muitas vezes o aprendizado de uma nova maneira de lidar com a realidade. Todo profissional de saúde deve fazer uma abordagem inicial mínima com perguntas objetivas sobre o hábito de fumar envolvendo fatores pessoais e aspectos anti-sociais do tabagismo. Estas perguntas permitem avaliar o grau de motivação e desta forma estimular os não motivados e ajudar os que já se encontram prontos a parar.

Em seguida deve ser aplicado o teste de Fargstrem, também com questões objetivas, que avalia o grau de dependência. Quando este teste tem valor maior que 6 e se já foram feitas tentativas prévias de interrupção do tabagismo sem sucesso, existe indicação de terapêutica medicamentosa associada. O tratamento medicamentoso pode ser feito com a reposiçaõ de nicotina ou com o uso de drogas que agem no sistema nervoso central (antidepressivos ou ansiolíticos). No Brasil dispomos de duas formas de reposição de nicotina: gomas de mascar e adesivos dérmicos. A reposição é feita com doses inicialmente maiores e que são diminuídas progressivamente por um per¡odo de até 3 meses. No caso dos antidepressivos o mais usado e de indicação mais espec¡fica é a bupropiona que age inibindo a recaptação da norepinefrina, serotonina e da dopamina que tem seus níveis elevados em decorrência do uso do tabaco. A bupropiona passou a ser usada no tratamento dos tabagistas quando pesquisadores relataram que pacientes usando este medicamento para depressão espontaneamente paravam de fumar. Sua ação se dá diminuindo os sintomas de abstinência, principalmente a irritabilidade, frustração, ansiedade, dificuldade de concentração e humor depressivo. O seu uso deve ser sempre indicado e acompanhado por profissional médico. Ao ansiolíticos podem ser empregados para diminuir a ansiedade causada pela abstinência à nicotina. O tabagismo é um problema de saúde pública que exige o envolvimento de toda sociedade. A interrupção deste hábito depende da motivação individual, mas sabe-se que muitas vezes é essencial tratamento e acompanhamento a longo prazo. Em São Paulo existem alguns serviços médicos que oferecem este tipo de tratamento gratuitamente, como o Hospital São Paulo (UNIFESP), Hospital das Clínicas, Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e Hospital do Câncer.

Se você ainda não parou de fumar este é o melhor momento, marque uma data nos próximos 7 dias e se esta tentativa falhar procure rapidamente auxílio especializado nos locais acima ou com algum médico de confiança. Colaboração da Dra. Maria Vera Cruz de Oliveira e-mail: maria_vera@oul.com.br


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