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Fono Informa Fonoaudióloga Rafaela Popriaga Graduação pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP/EPM Pós-Graduação: Especialização em Disfagia Orofaríngea pelo Hospital do Servidor Público Estadual - HSPE/IAMSPE Mestranda em Distúrbios da Comunicação pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP/EPM Contato digital: rafaela.popriaga@gmail.com Telefone: (11)8012-7747 Impactos da DPOC na deglutição, voz e fala: quais os sinais? A DPOC é uma doença sistêmica, que afeta todo o corpo e não somente os pulmões e a caixa torácica. A alteração do metabolismo leva a prejuízos nos músculos de todo o corpo e pode provocar modificações nas funções de deglutição e comunicação, no que cabe à articulação da fala, voz e sistema miofuncional orofacial. Assim, faz-se necessário o conhecimento de tais modificações pelo portador, seus familiares e cuidadores, para que possam identificar as dificuldades e estabelecer plano de cuidados precocemente. Impactos do DPOC, conheça os sinais: Fala: Em geral as dificuldades são relativas à coordenação da respiração com a fala, já que a fala implica fluxo aéreo na expiração, que estando reduzido, provoca conseqüente diminuição do tempo máximo de fonação, gerando frases ou até palavras entrecortadas. Com a evolução da doença essas dificuldades vão aumentando e pode-se chegar a um momento em que o portador apresenta intenso cansaço durante a função de fala, reduzindo sua comunicação a frases curtas, fala lentificada, pausada e até mesmo evita as trocas comunicativas. Além da relação da fala com o fluxo expiratório, a articulação dos sons, que exige vigorosa movimentação dos órgãos fonoarticulatórios, dentre eles os lábios e a língua, pode ficar comprometida pelo cansaço muscular, então o portador passa a apresentar fala imprecisa. Voz: Quanto à qualidade da voz, na fase mais avançada da doença pode ocorrer modificação vocal com presença de rouquidão, rugosidade e diminuição da intensidade ("volume") vocal, fatores que poderão comprometer a inteligibilidade da fala. Deglutição: O ato de engolir depende de comandos do cérebro, uso dos músculos envolvidos na deglutição, bem como coordenação entre a respiração e o momento da deglutição. Com a DPOC o portador pode apresentar dificuldade para engolir, seja por dificuldade para coordenar o momento da deglutição com a respiração, seja porque o esforço muscular exigido durante o processo provoca fadiga e aumento do desconforto respiratório. Cabe ressaltar que as funções de deglutição e respiração têm estruturas anatômicas em comum, por isto a sinergia entre os movimentos é imprescindível para que não ocorra falhas entre as funções, que podem ser observadas com facilidade quando ocorrem engasgos, tosse, pigarro, falta de ar, sudorese, sonolência e irritabilidade durante as refeições. É necessário ter atenção a estas manifestações durante a alimentação, já que a tosse é comum no portador, porém quando ocorre durante o ato de engolir merece atenção diferenciada. A desidratação, a falta de apetite e perda de peso também podem ser decorrentes da dificuldade de deglutição, já que os engasgos freqüentes e o cansaço durante a refeição fazem com que o portador passe a diminuir as quantidades de alimento /líquidos ingeridos. Nesta situação, deve-se procurar o mais breve possível orientação especializada e descobrir com quais alimentos e situações o portador apresenta maiores dificuldades. Usar diferentes consistências de alimentos e adaptações do ambiente são mudanças fundamentais para auxiliar o portador. Procure oferecer a alimentação em um ambiente tranqüilo, estando o portador descansado, e de modo que não tenha pressa para concluir a refeição. Quando procurar um fonoaudiólogo? O fonoaudiólogo pode avaliar, orientar, acompanhar e programar um tratamento para cada situação que o portador e seus familiares estejam vivendo. O ideal seria a avaliação desde o primeiro momento de diagnóstico da DPOC, visto que o fonoaudiólogo poderia identificar alterações em estágios iniciais orientando o portador e seus familiares a como lidar com as mesmas. As avaliações deveriam ser periódicas no sentido de acompanharem a evolução da doença e seus sintomas. A avaliação logo no início propiciaria também a intervenção precoce com orientações de cuidados e estimulações.
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